quarta-feira, 17 de abril de 2013

num qualquer pontão








...

cobre-nos a velha manta

espessa
negra e vermelha
a mesma que abafa o universo
em horas de tormenta

esquecemos as cores e o ar que bebemos

queimamos por dentro
para nos apagarmos na onda

incendiamos caminhos

abrindo a pele
somos nós, mar adentro

navegando

na velha manta
a mesma onde guardamos os odores
e os sabores

esquecidos no abrigo


das horas ébrias


de desejo


e de sexo

...

Texto: Ana Reis Felizardo
Fotografia: João Pego

1 comentário: